sábado, 22 de maio de 2010

Quente

sabe o inferno? não? então não sabe o que é viver.


Rio, 22 de maio de 2010.

terça-feira, 20 de abril de 2010

fantasia

só quem sonha tem os pés em terra firme. ( para o mini-menino que não quer envelhecer)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Milagre!

E então ele ressucitou. Foi sim. Depois de um tempo dado como morto foram visita-lo e não encontraram no lugar onde deveria estar. Foi uma loucura. Uma gritaria só. Gente chorando. Desmaiando. E nada do corpo. Veio mais gente correndo para ver o que acontecia. Uns gritavam - milagre!, milagre! - Duas morreram na hora de emoção. Durinha igual pedra. Vieram os guardas para tentar conter as pessoas que aos poucos iam se multiplicando para saber do acontecido. Virou um buchixo geral. Ele havia voltado, pois o corpo não estava mais lá. Sua amiga Maria havia passado noites em vigilha e num momento coxilou e quando despertou cadê? Sumiu o corpo. Todos procuravam por toda pare ao redor e nada. Foi quando de repente olharam para o lado e viram a forte luz que reluzia e no meio eis que surge o semblante na luz. Todos se ajoelharam e gritavam - aleluia! milagre!... - E ele disse assustado - que isso gente? Só fui mijar.
Messias havia voltado do coma de sete dias na u.t.i. do Souza Aguiar.

Rio de Janeiro, 01 de abril de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

filminho


A vida é curta e a morte é longa.

rio de janeiro, 10 de março de 2010.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

páscoa

Quando eu era criança achava que o coelhinho sempre viria me trazer os ovos. Ouvi a vizinha dizer que para o coelho trazer os ovos tinhamos que deixar uma flor no local onde queríamos achar o ovo quando acordássemos. Como qualquer criança que sonha em ganhar vários ovos de uma só vez não tive dúvidas. Coloquei flôres pela casa inteira. Tinha rosas, dálias, suspiros vermelhos, sombrinhas e muitas outras. Ao lado da minha cama coloquei um girassol que peguei escondido no jardin da minha vó, pois ela tinha um xodó imenso pelos girassois laranjas e amarelos que amanheciam olhando para minha janela e a tarde olhavam para as bananeiras. Bem, voltando ao meu quarto coloquei a grande flor na esperança de que o ovo fosse do tamanho da flor, ou maior. Não queria dormir. Queria esperar e ver a chegada do coelho e saber por onde ele iria entrar, quais seriam as cores dos papéis que embrulhavam os ovos, se ele vinha a pé ou de algum meio de transporte....
Na manhã seguinte dei um pulo da cama e olhei direto onde tinha colocado o girassol. Foi uma deccepção só. Não havia um ovo no lugar como havia dito a vizinha. Corri para os outros lugares pensando que talvez por ser um ovo grande o coelho poderia não ter tido forças para carregar.
Sentei no muro de pedras e olhava aquelas flôres murchas que havia colhido e colocado pela casa sem entender o que teria acontecido. Para não entender nada mais do que já não estava entendendo, vi as filhas da vizinha com seus ovos passando e comentando que o coelhinho havia feito a troca por simples margaridas amarelas que nascem com o vento frio de agosto. Foi a partir desse dia que nunca mais acreditei em papai noel.

Rio de janeiro, 21 de julho de 1998.

A Unha assassina

Estava no metrô quando minha unha do pé, que estava encravada, começou a doer. Era uma dor maldita dentro do meu escarpan caramelo. Estava na Glória e desceria na Tijuca. Glória eu pedia aos céus para que aquela máquina andasse mais depressa que de costume. A dor era grande mas mesmo de pé eu aguentava. Tudo poderia ter acabado bem se não fosse aquela velhinha entrar na Uruguaiana. A dona veio em minha direção cheia de bolsas e a infeliz não viu meu pé. Foi a conta del amassetar meu escarpan para achatar minha unha com sua anabela azul. Ela consegui acordar a fera que dormia coberta pela tri-fill dourada. Minha unha se levantou, rasgou a meia, arregaçou a ponta do meu escarpan e voou na velhinha. Eu estava com as minhas mãos suspensas segurando na barra de ferro e lá fiquei atônita com a reação da minha unha. A velhinha gritava e meu pé conduzido pela minha unha, mordia a cara da velhinha que gritava feito louca. Eu ainda pedi para que ele parasse, mas ele não me deu ouvidos. As pessoas que se encontrava no vagão correu para o canto deixando a velha e meu pé na arena. Eu também apavorada me segurava cada vez mais forte no ferro, pois meu pé tinha vida própia. A unha acabou por dilacerar a velhinha quando chegamos na Tijuca. Desci correndo arrumando meu vestido sem um pé de sapato que ficara na boca da velhinha estirada em meio a sacolas de canudinhos de doce-de-leite.

Rio de Janeiro,20 de agosto de 1999.

brincadeiras

Passava o dia rodando bambolê.
Rodando a roda na cintura
Sentia um frio na altura
Do final das coxas.

Se pensa que eu era trouxa
Se enganou,
Pois o segundo brinquedo
A me envolver
Foi o bilboquê.

Rio de janeiro, 20 de setembro de 1999.